sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ÉLISABETH EUDES-PASCAL e MAFALDA ANJOS - Carta aos professores


La compétence des professeurs, Élisabeth Eudes-Pascal

«Caros amigos,
Não se importam que vos trate por amigos, certo? É que não vejo melhor palavra. Com quatro filhos em idade escolar, sinto que são uma espécie de companheiros de viagem. Escrevo-vos porque falar destes assuntos naquelas reuniões de pais é complicado – vocês sabem, é mais ou menos como nas reuniões de condóminos: muitos pais angustiados e impacientes e muitas perguntas idiotas sobre assuntos que não importam nada. O essencial parece que fica por dizer.

E há tanto para falarmos, caros professores, no arranque de mais um ano letivo, este marco definitivo nas rotinas de tantas famílias portuguesas como a minha. Espero encontrar-vos bem, carregados de energia para mais uma espécie de missão impossível – tenho a noção que é quase isso que se pede aos professores nos dias de hoje. Bem sei que muitos pais esperam que vocês façam todo o trabalho por eles: que ensinem, que eduquem, que sejam exemplos, que inspirem, que mantenham a serenidade em toda e qualquer situação, e que ainda por cima se contentem felizes com pouco como recompensa. Não é fácil corresponder a tanta expectativa, eu sei. Mas alguns de vós dão o vosso melhor e quase que chegam lá. Tiro-vos, honestamente, o chapéu.

Num ponto todos concordam – os professores moldam vidas e são eles o coração do sistema de ensino. Um bom professor guardamo-lo para a vida, marca para sempre. Mas não se deixem vergar pelo peso da responsabilidade. Não formalizem demasiado as relações. Tentem não perder a chama e a paixão dos primeiros dias, mantenham aquela boa dose de instinto na gestão de uma sala de aula. Usem e abusem do humor, sejam empáticos, sejam performers – era Steinbeck que dizia que um professor é um grande artista. A sala de aula é o vosso palco. Não se deixem formatar. Os melhores professores que tive foram sempre aqueles que fugiam do padrão.

Cada miúdo é um miúdo, não há fórmulas rígidas e infalíveis. Se tivesse de vos pedir uma só coisa, seria que se dedicassem a conhecer realmente as crianças que têm pela frente. O que lhes faz brilhar os olhos, o que detestam e o que lhes faz sono. Oiçam-nos: eles são mesmo seres incríveis. Acreditem, não será tempo perdido – a partir daí saberão como os agarrar.

Preocupem-se mais em estimular a curiosidade do que em debitar a matéria do manual. Aqui que ninguém nos ouve, quem me dera que pudessem esquecer essa rigidez das metas curriculares e algumas das coisas que se obrigam os miúdos a saber hoje em dia. Expliquem-lhes porque aqueles assuntos importam, e eles quererão conhecê-los melhor. Empinar matéria, em pleno século XXI, é absolutamente anacrónico. Os factos desgarrados são dados adquiridos: estão aí à distância de uma pesquisa no Google. Mais do que lhes dizer o que aconteceu, expliquem-lhes porque aconteceu assim. Façam-nos pensar, despertem-lhes a curiosidade, incentivem-nos a partir à aventura. Ensinar é a arte da assistência à descoberta.

Valorizem outras coisas que não as notas – venho a crer que elas importam afinal tão pouco na vida. Mais do que seres cheios de conhecimentos acumulados, ajudem a formar boas pessoas e adultos interessantes. Ensinem-lhes os valores da partilha, generosidade e espírito de equipa. Quem não ajuda um colega jamais deveria ter lugar num quadro de honra.

E, por favor, não menorizem os miúdos – deem-lhes máxima liberdade acompanhada de máxima responsabilidade. Eles têm desde cedo que perceber que a escola é o seu trabalho, não o dos pais. Imponham regras e limites claros desde o primeiro dia, e expliquem-lhes as consequências. Já agora, expliquem isso também aos pais, que cada vez mais tratam as crianças como flores de estufa no deserto para compensar a sua crónica ausência.

Peço-vos, é verdade, uma combinação de talentos e competências que parece quase de alquimia. Mas isto não é mística: é bem possível e há quem o faça todos os dias por essas escolas do País. Bem-hajam.»
MAFALDA ANJOS

AQUI: http://visao.sapo.pt/opiniao/editorial/2017-09-14-Carta-aos-professores
Améliorer les professeurs, Élisabeth Eudes-Pascal

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

AUTISTES SANS FRONTIÈRES - Mon ami Tom


UN FILM D’ANIMATION POUR EXPLIQUER L’AUTISME AUX ENFANTS

MERCI: http://www.autistessansfrontieres.com/

ABRAHAM LINCOLN (ou não...) - Carta ao professor de seu filho

Nota  
«Below is a letter that is often attributed to Abraham Lincoln. It purportedly was written to his son's teacher. However, there is no source for it. It is bogus. It is a thoughtful letter, but it wasn't really Abraham Lincoln who wrote it. »
AQUI: http://rogerjnorton.com/Lincoln56.html

“Caro professor, o meu filho terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que para cada vilão há um herói. E que para cada egoísta há também um líder dedicado.
Ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo. Explique-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.
Ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória. Afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso e dos silêncios.
Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram. Ensine-o a valorizar a família que sempre o apoiará em qualquer situação.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou a pedir-lhe muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.”

terça-feira, 5 de setembro de 2017

DANIÈLE FIX - Dans la classe

Fotografia de José Maria Laura (Na Ferreira...)

Dans la classe
Y’a des p’tites chaises
On se sent à l’aise.
Dans la classe
Y’a des p’tites tables
C’est très confortable.
Dans la classe
Y’a des couleurs
Des plantes, des fleurs
Y’a des mots que l’on écrit
Des poèmes que l’on dit.
C’est comme ça
Qu’on devient grands
Nous les enfants.

Danièle Fix

terça-feira, 22 de agosto de 2017

TURISMO CENTRO DE PORTUGAL - Homenagem


Filme turístico dedicado a vítimas do fogo de Pedrogão Grande vence prémio nos EUA

"Escolho o centro de Portugal". É o que afirma um filme promocional do Turismo Centro de Portugal que venceu um prémio nos Estados Unidos. É também uma homenagem às vítimas do fogo de Pedrógão Grande.
Um filme promocional do Turismo Centro de Portugal venceu o prémio internacional “Silver Screen” (“Tela de Prata”, em português), na 50º edição do Festival Internacional de Filme e Vídeo dos Estados Unidos, que aconteceu em Los Angeles.



AQUI: http://observador.pt/2017/08/21/filme-turistico-em-memoria-das-vitimas-do-fogo-de-pedrogao-grande-vence-premio-nos-estados-unidos/

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

junho de 2017 - Tomada de posse

«Aos vinte e dois dias do mês de junho, do ano de dois mil e dezassete, pelas dezoito horas, realizou-se a cerimónia pública de Tomada de Posse no cargo de Diretora da ESFD da Docente Lina Maria da Rosa Pacheco Alves, eleita para o quadriénio de dois mil e dezassete a dois mil e vinte e um.


Perante o Conselho Geral, e na presença de docentes, não docentes, alunos, pais e encarregados de educação, parceiros sociais, Diretores dos Agrupamentos de Escola da área envolvente, Presidente da Junta de Freguesia de Agualva-Mira Sintra, Diretor do Departamento de Educação e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Sintra, foi conferida posse à nova Diretora.



À Dr.ª Lina Alves e à sua equipa de Direção desejamos sucesso no decurso do mandato.»

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Na hora da despedida... - Direção da Ferreira


Cristina Correia / Cesaltina Julião / António Santos / António Marques
António Marques / Cristina Correia  / José Manuel Correia
António Santos / António Marques / Cristina Correia  

4 anos de muito trabalho! 
A todos,
os nossos agradecimentos!
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Laudatio

Honra ao Mérito


Em nome do Conselho Geral, órgão responsável pela eleição do Diretor da Escola, cumpre-me hoje, “na hora da despedida”, a honra de realçar, neste breve laudatio, o perfil do Diretor cessante desta Escola.

Homenagear o Diretor António Tomaz Marques, constitui também para a Escola Secundária Ferreira Dias, Agualva-Sintra razão de elevado prestígio, que dignifica todos os seus membros.

Destaco, de forma breve, as reconhecidas qualidades humanas, que o distinguem, por serem cada vez mais raras nos tempos que correm, distinguindo: o elevado sentido ético, a acentuada honestidade profissional e o inabalável empenhamento com que sempre abraçou os desafios que entendeu poderem gerar benefícios coletivos na valorização do conhecimento, da afirmação da cidadania ou do reforço da instituição ESFD. Três características que fundamentam e legitimam por inteiro a distinção que nos congrega nesta hora.

Por isso, pelos superiores méritos do nosso Diretor emérito, pela gestão democrática, pelo seu perfil humanista e meritório serviço em prol do projeto educativo desta Escola, torna-se público que lhe são atribuídas as insígnias que o integram no Quadro de Honra ao Mérito com que o distinguimos.


Pel’ O Conselho Geral
A Presidente
Ana Paula Cunha



quarta-feira, 26 de julho de 2017

JOSÉ SARAMAGO - Carta para Josefa, minha avó


Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo — e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água.

Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira — sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.

Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com  isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja.(Contaste-mo tu, ou terei sonhado que o contavas?)

Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém. Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrugada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos — e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Quem to roubou? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti — e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava. Não teremos, realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas — e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, por que te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: «O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!»

É isto que eu não entendo — mas a culpa não é tua.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

sábado, 1 de julho de 2017

MA RUE PAR ACHBÉ - Simone...


SIMONE VEIL (1927 - 2017)

"(...) nous vous aimons, Madame"
Jean d'Ormesson 

Une vie de combats


Le 23 février 1975 à Caen. Simone Veil, alors ministre de la santé, lors de sa visite d’un centre anti-cancer. AFP
LA LOI VEIL

« Nous ne pouvons plus fermer les yeux sur les 300 000 avortements qui, chaque année, mutilent les femmes de ce pays, qui bafouent nos lois et qui humilient ou traumatisent celles qui y ont recours. (…) Je ne suis pas de ceux et de celles qui redoutent l’avenir. Les jeunes générations nous surprennent parfois en ce qu’elles diffèrent de nous ; nous les avons nous-mêmes élevées de façon différente de celle dont nous l’avons été. Mais cette jeunesse est courageuse, capable d’enthousiasme et de sacrifices comme les autres. Sachons lui faire confiance pour conserver à la vie sa valeur suprême. »


Simone Veil, présidente du Parlement européen, lors de son discours d’inauguration à Strasbourg, le 18 juillet 1979. AFP

« Venus de tous les continents, croyants et non-croyants, nous appartenons tous à la même planète, à la communauté des hommes. Nous devons être vigilants, et la défendre non seulement contre les forces de la nature qui la menacent, mais encore davantage contre la folie des hommes. » Simone Veil, Une vie

Simone Veil, femme de conviction et d'exception
«Elle allait avoir 90 ans. En 1944, elle a 16 ans quand elle se fait arrêter, à Nice, par la Gestapo puis elle est déportée à Drancy puis à Auschwitz-Birkenau, où elle reçoit le matricule 78651. Elle y perdra son père, sa mère et sa soeur. Elle en gardera dans sa vie publique une gravité et une réserve qui caractérisait de l’extérieur cette femme d’un abord sévère. "On ne sort pas de la Shoah le sourire aux lèvres. Une armée de bourreaux, les crimes du national-socialisme et 2 500 survivants sur 76 000 juifs déportés vous ont contrainte à vous durcir ». En 1974, le Premier ministre Jacques Chirac insiste pour que Valéry Giscard d’Estaing fasse d’elle sa ministre de la Santé. C’est ainsi qu’elle fera passer, au terme d’orageux débats, la loi dépénalisant l’IVG, avant de quitter le gouvernement en 1979, date à laquelle elle est élue députée européenne. Première femme présidente du Parlement européen (1979-1982) puis première femme ministre d’Etat (1993-1995), Simone Veil place le féminisme au cœur de son engagement. Elle est nommée membre du Conseil constitutionnel en 1998, où elle siège jusqu’en 2007. Elue à l’Académie française en 2008, elle a reçu deux ans plus tard son épée d’académicienne, dont la lame est gravée de son numéro de déportée. Respect !»
RENÉ LEUCART

sábado, 24 de junho de 2017